Toda ação humana é movida por um sentimento, um desejo. Esse desejo alimenta um sonho. Se viajar é uma ação humana – e eu estou convencida de que, de fato, é – o motor de uma viagem é o sonho.
O sonho de descansar, de conhecer um lugar, de experimentar sabores, cheiros e culturas diferentes, de tirar fotos lindas, de meditar, de se encontrar ou de encontrar alguém… O sonho da própria viagem.
Sem esse sonho, não há viagem. Desde os primórdios, as movimentações humanas na Terra foram movidas a sonhos. Fosse para encontrar terra fértil, caça abundante, água potável, temperaturas mais agradáveis, proteção ou qualquer outro motivo, era o sonho de atingir esses objetivos que movia o homem. Quando o Homem se lançou ao mar para desbravar Oceanos, no início da Era Moderna, mais que o vento, era o sonho de conquistar novos continentes, descobrir novas rotas de comércio, alcançar novos horizontes que o impulsionava. E até hoje os homens se movem assim: mesmo em uma viagem a trabalho resolvida às pressas, o sonho está presente – ainda que de forma secundária e relacionado ao objetivo profissional da viagem.
O que torna o sonho de viajar tão especial é o desconhecido. Mesmo com tantas ferramentas disponíveis para se descobrir coisas a respeito do destino da viagem – o Google Street View está aí para comprovar isso -, nunca se sabe o que se vai encontrar no destino. Sempre haverá uma aventura, uma desventura, um golpe de sorte e uma maré de azar, um imprevisto, uma grata descoberta, e tantas outras experiências que seria ousadia demais tentar listá-las todas. Ainda que o destino da viagem seja perfeitamente conhecido, uma viagem nunca é igual à outra: as pessoas que você vai encontrar serão diferentes (ainda que sejam sempre as mesmas), as condições meteorológicas serão diferentes, a data e o momento da sua vida serão diferentes.
Em paralelo às incertezas, correm também as expectativas, representadas por aquele friozinho na barriga que se sente ao sair de casa para iniciar a viagem. A principal expectativa: que, na viagem, tudo dê certo, até a volta para casa; que se realize o sonho. Quanto maiores os sonhos, provavelmente maiores também serão as incertezas. E quanto maiores forem as incertezas, melhor você conseguirá planejar a sua viagem. E quanto melhor for esse planejamento, melhor será a execução, mais satisfeito você ficará com a sua viagem, mais você sonhará com a próxima viagem, mais incertezas terá, melhor será a sua preparação (o seu planejamento)… O círculo é vicioso, para o bem ou para o mal (sim, o inverso da moeda também é verdadeiro!). Viajantes experientes acumulam horas de voo nos sonhos também e, quanto mais viajam, mais querem viajar.
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