"Quem está acostumado a viajar, sabe que sempre é necessário partir algum dia."
Paulo Coelho
Como já tinha adquiro a minha independência financeira, depois de um ano de trabalho, embora como disse viajava todos os dias a trabalho, mas nada como uma viagem de férias. Resolvi que iria conhecer Brasília. E esta viagem teve muitos significados para mim, primeiro a liberdade de viajar com meus próprios recursos, aventurando-me em um lugar que para mim era muito distante e viajando sozinha. Segundo que na época estava me correspondendo com uma pessoa que morava lá e que depois veio a ser o meu primeiro companheiro por 22 anos e pai de minhas duas filhas.
Saí de Cachoeiro de Itapemirim com destino a Belo Horizonte, no dia 07 de setembro de 1983, às 19:30 h , no ônibus da São Geraldo, carregando na bagagem muita expectativa, tanto que fui na primeira cadeira e quase não dormir para poder apreciar a viagem e passar por lugares do Estado, que só ouvira falar, como Guaçuí, Celina, entrada de Iúna, depois a medida que íamos subindo a temperatura baixa e a neblina, fizeram-se adormecer, só acordando na divisa em Ponte Nova, onde o ônibus fez uma parada. Lembro-me de uma estrada de paisagem belíssima, toda arborizada com um verde viçoso. Fazia frio, cobri-me com minha jaqueta, dormi e só fui acordar novamente em Ouro Preto, quando o ônibus fez outra parada às 04:30 h, logo estaríamos no fim da viagem.
O foi sob uma imensa chuva que chegamos em Belo Horizonte. Senti uma estranha emoção, não sei se de contentamento, expectativa, medo, ansiedade, era a minha primeira vez na capital mineira. Na rodoviária fui ao banheiro, lavei o rosto, tomei um café. Era 05:30 h, teria tempo de sobra até às 08:00 h quando sairia o próximo ônibus para BSB. Fiquei andando de uma lado para o outro e não pude deixar de observar o movimento de passageiros, a maioria deles pessoas muito pobres, chegando ou saindo, transportando suas mobílias, que quase sempre se compunham de algumas caixas de papelão com utensílios domésticos e sacos com roupas, era tudo que tinham ou que poderiam levar...
Na estrada deu para perceber a diferença de vegetação, sentia-me em pleno nordeste, terra árida, árvores completamente seca, uma poeira espessa se sobrepunha à beira da estrada. Um casebre aparecia de vez em quando, quilômetros de distância um do outro. Como este povo sobrevivia numa terra tão seca, água nem sinal e transporte?
A viagem transcorreu um pouco cansativa por ser de dia, as horas custavam a passar, a próxima parada: 3 Marias, onde pude ver o Rio São Francisco e a barragem da Usina Hidrelétrica Três Marias, que até então só ouvira falar na época do colégio. Aqui uma curiosidade sobre o nome 3 Marias:
"Há muitos e muitos anos, residia às margens do Rio São Francisco uma família que montou uma pequena hospedaria na fazenda, com o passar dos anos, os pais morreram e as filhas Maria Francisca, Maria das Dores e Maria Geralda continuaram com a hospedaria, ponto de parada obrigatória. Aquela pequena hospedagem tornou-se popular como as 'Três Marias': 'Hoje vou pernoitar, lá, nas Três Marias…'; 'Quando atravessar o Rio São Francisco vou almoçar nas Três Marias…'
Certo dia, como de costume, as Três Marias foram nadar, sem saber que vinha vindo uma cabeça de enchente. As águas vinham revoltas, arrastando animais, árvores, plantações, carregando e destruindo tudo a sua passagem. As Três Marias, ao sentirem a chegada das águas, tentaram sair do rio, mas Maria Geralda rodou nas águas, Maria Francisca tentou salvá-la e rodou também. Quando Maria das Dores viu as suas irmãs debatendo-se nas águas, numa luta mortal, tentou levá-las para as margens do Rio. Tudo em vão: as águas carregaram as Três Marias para o fundo do Rio. Após o acidente trágico, o nome de Três Marias tornou-se mais popular ainda, ficando aquela região assim conhecida."
Às 17:30 h estávamos em Goiás, mais precisamente em Cristalina e ao anoitecer entramos em Brasília. Na rodoviária tomei informações de como chegar ao hotel, indicaram-me um ônibus e o motorista foi super atencioso, mostrando-me os lugares que devia visitar, do que fazer, falando sobre o significado das placas, já que BSB por seu formato de avião, tudo é divido asa, setor, quadras, etc., enfim me deixou na porta do hotel na asa sul, setor hoteleiro, fiquei no Hotel Nacional.
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| Quarto do hotel que fiquei em BSB |
Roteiro do primeiro dia:
1- Catedral
2- Esplanada dos Ministérios
3- Congresso Nacional
4- Supremo Tribunal Federal
5- Palácio do Planalto
6- Praça dos 3 Poderes
Já era quase noite quando fomos ver a cidade lá de cima da Torre de Televisão. Vi toda a cidade se iluminar. Brasília nesta época é seca e quente durante o dia e à noite esfria, então descemos e fui para o hotel descansar andei o dia inteiro.
Roteiro do segundo dia:
- Palácio de Justiça
- Praça do Buriti
- Ginásio de Esportes
- Memorial JK
Depois fomos ao cinema, na época estava passando "Flashdance", com Irene Cara. A música deste filme acabou sendo a nossa música. Fomos jantar no Restaurante do Hotel onde pedi um bife à paulista e uma taça de vinho.
Roteiro do terceiro dia:
- Prédio sede do Banco Central
- Prédio da Caixa
- Setor das Embaixadas
- Zoológico
- Parque da Cidade
Roteiro do quarto dia:
- Setor das Autarquias
- Setor Comercial Sul
- Cidades-Satélites: Gama e Taguatinga
Na volta como ainda me restavam alguns dias de férias, minha irmã Jane e eu fomos para passear em Domingos Martins e Santa Teresa.
Domingos Martins é um município do estado de Espírito Santo. A sede do município é também conhecida como Campinho e está situada a aproximadamente 42 km de Vitória, cujo acesso principal se dá pela rodovia BR 262. Está situado na região montanhosa do Espírito Santo. É promovida como "Cidade do Verde", por contar com bastante mata atlântica.  |
| Busto de Domingos José Martins |
O município possui muitos rios e picos. A sede tem altitude de 542 metros, mas, no município, há picos acima de 1 800 metros. Possui clima ameno, frio para os padrões brasileiros. O município foi fortemente colonizado por alemães, pomeranos e italianos. É predominantemente dependente da agricultura e turismo. O município é dividido em 6 distritos: Sede, Melgaço, Paraju, Aracê, Santa Isabel e Biriricas, este último demarcado recentemente. Como atrativo turístico, destaca-se a Pedra Azul, que é um grande afloramento de gnaisse com 1 822 metros e que apresenta uma coloração azulada, dependendo da incidência de luz solar. A região é muito visitada por pessoas da capital do estado, Vitória, e seus arredores, por ser localizada muito próxima à capital. Hotel Imperador
Minha irmã e eu ficamos hospedadas no Hotel Imperador, que fica bem no centro da cidade Domingos Martins.
O Hotel Imperador foi inaugurado no dia
6 de janeiro de 1955. Por causa de sua arquitetura, o hotel se tornou um
atrativo no município, passando a ser considerado o hotel de referência para os
casais em lua de mel em todo o Estado.

Uma curiosidade: antes mesmo de se
consolidar como atrativo turístico, o Hotel Imperador, nos primeiros anos de
existência, era o destino de muitos hóspedes que buscavam tratamento de saúde,
em função do clima, ideal para o tratamento de doenças respiratórias.
SANTA TERESA
Santa Teresa é também chamada "Beija-flor do Espírito Santo", graças à abundância destas aves na região e, principalmente, por ser a terra onde nasceu e viveu o cientista
Augusto Ruschi — pioneiro nas pesquisas com beija-flores e fundador do
Museu de Biologia Professor Mello Leitão, localizado na cidade. O município possui uma das mais exuberantes biodiversidades do mundo, e está cercado pelas montanhas da região serrana do Espírito Santo, com cerca de 40% de seu território composto de Mata Atlântica.
É reconhecida como a primeira cidade fundada por imigrantes italianos no Brasil.